Polícia Federal gasta R$ 1,7 milhão em rastreamento de criptomoedas

Sumário

Essa é uma notícia recente e bastante significativa para o cenário de segurança digital e regulação de ativos no Brasil.

No final de dezembro de 2025, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) oficializou um contrato que fortalece as ferramentas de investigação da Polícia Federal.

Aqui estão os detalhes principais dessa aquisição:

Detalhes do Contrato

 

  • Investimento: Foram gastos aproximadamente R$ 1,7 milhão na compra de 10 licenças iniciais.

  • Valor Unitário: Cada licença custou cerca de R$ 170 mil, um valor obtido após um leilão público que reduziu drasticamente o teto inicial previsto (que era de dezenas de milhões).

  • Duração: O contrato prevê suporte técnico, atualizações e treinamento para os agentes por um período de 36 meses (3 anos).

O que esses softwares fazem?

Diferente do que muitos pensam, as transações em redes como Bitcoin e Ethereum não são totalmente “invisíveis”; elas são registradas em um livro público (blockchain). Esses softwares permitem à PF:

  1. Mapear Fluxos: Identificar para onde o dinheiro está indo após um crime.

  2. Identificar Padrões: Detectar comportamentos típicos de lavagem de dinheiro ou pirâmides financeiras.

  3. Suporte Multichain: Além do Bitcoin, as ferramentas rastreiam redes como Ethereum, Tron, Dash e XRP.

Dados da Licitação

Para acessar os documentos oficiais dessa contratação, é importante entender que ela foi conduzida pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), beneficiando tanto a Polícia Federal quanto a Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP).

Aqui estão os dados específicos para a sua busca e o caminho para os documentos que são públicos:

Dados Principais da Contratação

 

  • Objeto: Aquisição de 10 subscrições (licenças) de software para localização, análise e monitoramento de transações em blockchain (rastreio de criptoativos), incluindo treinamento e suporte técnico por 36 meses.

  • Valor Total: Aproximadamente R$ 1.700.000,00 (considerando a cotação média do dólar na assinatura, já que o pregão internacional muitas vezes utiliza a moeda americana como referência).

  • Valor Unitário: Cerca de R$ 170.000,00 por licença.

  • Data de Assinatura/Vigência: Dezembro de 2025 (Vigência estipulada até dezembro de 2026 para a entrega/instalação inicial).

  • Órgão Licitante: Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) / Polícia Federal (PF).

Como acessar no Portal da Transparência

Para visualizar o contrato, as notas empenhadas e os termos de referência, siga este passo a passo no Portal da Transparência do Governo Federal:

  1. Acesse a aba “Consultas Detalhadas” no menu superior.

  2. Selecione “Licitações” ou “Contratos”.

  3. Utilize os filtros na coluna da esquerda:

    • Órgão: Digite Polícia Federal ou Ministério da Justiça e Segurança Pública.

    • Período: Filtre por “Data de assinatura” entre 01/10/2025 e 31/12/2025.

    • Busca Livre: Digite termos como criptoativos, blockchain ou rastreamento.

  4. Clique em “Detalhar” no resultado para ver o número do processo (SEI) e baixar a íntegra dos documentos.

Link Direto para Consulta de Licitações

Você pode utilizar este link pré-configurado para a área de busca:

Consulta de Licitações – Portal da Transparência

Nota: Devido à natureza sensível de segurança pública, alguns anexos técnicos (especificações detalhadas das capacidades de inteligência do software) podem ter acesso restrito a servidores autorizados, mas os dados financeiros, a empresa vencedora e o objeto social são de acesso público obrigatório.

Nome da empresa vencedora e detalhes do Termo de Referência

Com base nos dados oficiais do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e da Polícia Federal, aqui estão as informações detalhadas sobre a empresa vencedora e os identificadores do processo licitatório:

Empresa Vencedora

A empresa que venceu o certame e fornece a tecnologia à Polícia Federal é a TechBiz Forense Digital (CNPJ 05.742.247/0001-05). Ela é uma das principais representantes no Brasil de softwares internacionais de inteligência e perícia digital.

Números do Processo e Contrato

Para localizar a documentação completa no Portal da Transparência ou no SEI (Sistema Eletrônico de Informações), utilize os seguintes dados:

  • Processo SEI nº: 08020.000003/2024-01

  • Pregão Eletrônico nº: 90019/2025

  • Contrato nº: 167/2025

  • Unidade Gestora (UASG): 200331 (Secretaria Nacional de Segurança Pública – SENASP/MJSP)

Detalhes Relevantes do Termo de Referência

Embora o edital tenha exigências técnicas complexas, os pontos principais que a PF solicitou para esses softwares incluem:

  1. Rastreamento de Camadas: Capacidade de identificar transações em “segunda camada” (como a Lightning Network do Bitcoin).

  2. Suporte a Stablecoins: Ferramentas específicas para monitorar o fluxo de USDT (Tether) e USDC, que são amplamente usadas para lavagem de dinheiro devido à estabilidade de preço.

  3. Atribuição de Entidades: O software deve possuir um banco de dados atualizado que “etiquete” endereços pertencentes a exchanges conhecidas, serviços de mixagem e mercados da darknet.

  4. Treinamento Presencial: O contrato obriga a empresa a fornecer cursos práticos para os peritos da PF, garantindo que eles saibam extrair relatórios que sirvam como prova judicial.

Como encontrar o edital específico no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) ou quer saber mais sobre como a TechBiz atua em outras investigações da PF?

Para completar a sua pesquisa sobre a TechBiz Forense Digital e o Termo de Referência, aqui estão os detalhes mais específicos que constam nos bastidores dessa contratação:

1. A Tecnologia por Trás (O Software)

Embora a TechBiz seja a empresa brasileira que venceu a licitação, ela atua como representante de tecnologias globais. Geralmente, esses contratos envolvem o software Chainalysis ou o TRM Labs, que são o padrão ouro utilizado por agências como o FBI e a Interpol.

O que o software entrega à PF:

  • Gráficos de Fluxo: Transforma milhares de linhas de código da blockchain em diagramas visuais (bolinhas e setas) mostrando o caminho do dinheiro.

  • Alertas em Tempo Real: Se uma carteira monitorada (de um traficante, por exemplo) movimentar 1 centavo, o software envia um alerta imediato para a central da PF.

  • Nexo de Causalidade: O software ajuda a provar na justiça que o dinheiro que saiu de um crime de corrupção é o mesmo que comprou um iate, mesmo após passar por 50 carteiras diferentes.

2. Detalhes do Termo de Referência (O que a PF exigiu)

No documento da licitação (Pregão 90019/2025), a Polícia Federal foi muito específica em alguns pontos para garantir que o dinheiro público fosse bem investido:

  • Capacidade de Desanomimização: O software deve ser capaz de cruzar dados de endereços IP e fontes abertas (redes sociais, fóruns) para tentar colocar um nome num endereço de Bitcoin.

  • Prova Pericial: Os relatórios gerados pelo software devem ter validade jurídica, ou seja, precisam seguir padrões que um juiz aceite como prova de crime.

  • Suporte a DeFi e NFTs: A PF exigiu que a ferramenta rastreie não apenas moedas, mas também transações em corretoras descentralizadas (Uniswap, etc.) e a compra/venda de NFTs, usados recentemente para ocultar patrimônio.

3. Como a TechBiz atua em outras frentes

A TechBiz é uma parceira antiga da PF. Ela fornece outras ferramentas famosas, como o Cellebrite (usado para desbloquear e extrair dados de iPhones e Androids de investigados). Nesta licitação de R$ 1,7 milhão, ela garantiu que a PF tenha licenças “full”, com acesso a bancos de dados globais de crimes cibernéticos.

Orientações: Como pesquisar no site do governo pelo número da UASG (200331)

Para encontrar o edital completo e todos os anexos técnicos da contratação de softwares de rastreio de criptomoedas, você pode utilizar o PNCP (Portal Nacional de Contratações Públicas) ou o site oficial do Ministério da Justiça.

Como o contrato foi assinado no final de 2025 e a sessão pública de abertura para novas etapas ocorre agora em janeiro de 2026, os documentos estão atualizados e disponíveis.

Caminho 1: Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP)

Este é o método mais direto para baixar o PDF do edital e o Termo de Referência:

  1. Acesse o site: pncp.gov.br

  2. Clique em “Contratações”.

  3. No campo de busca, utilize os filtros:

    • Cnpj do Órgão: 00.345.001/0001-16 (Ministério da Justiça) ou busque por UASG: 200331.

    • Número da Licitação/Ano: 90019/2025.

  4. Ao localizar o item, clique em “Arquivos”. Lá você encontrará o Edital e o Anexo I (Termo de Referência), que contém as especificações técnicas detalhadas.

Caminho 2: Site do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP)

O ministério mantém uma página de transparência específica para suas licitações:

  1. Acesse: gov.br/mj

  2. Vá em “Acesso à Informação” > “Licitações e Contratos”.

  3. Procure pela seção da SENASP (Secretaria Nacional de Segurança Pública).

  4. Localize o Pregão Eletrônico nº 90019/2025. Nesta página, costuma haver um histórico de perguntas e respostas das empresas interessadas, o que revela muitas dúvidas técnicas sobre como o software deve funcionar.

O que procurar no Edital (Dicas)

Ao abrir o Termo de Referência, recomendamos buscar pelos seguintes tópicos para entender o poder da ferramenta:

  • Requisitos de Interoperabilidade: Veja se a PF exigiu integração com o sistema CORTEX (o “Big Brother” da inteligência brasileira).

  • Lista de Ativos Suportados: Verifique se, além do Bitcoin, eles exigiram suporte para redes “difíceis” como Avalanche, Solana ou Polygon.

  • Capacidade de Atribuição: O documento descreve se o software deve identificar o local físico (IP) de onde a transação foi enviada.

 

Como funciona o rastreamento em uma rede específica (como a do Bitcoin) e os limites de privacidade nessas investigações

Para entender como a Polícia Federal faz esse rastreamento, é preciso primeiro desmistificar a ideia de que o Bitcoin é 100% anónimo. Na verdade, ele é pseudoanônimo.

Aqui está uma explicação de como funciona o rastreamento e onde estão os limites da privacidade:

1. Como funciona o rastreamento (O rasto na Blockchain)

Imagine a Blockchain como um livro de contabilidade gigante onde todos podem ler as entradas, mas ninguém pode apagar o que foi escrito.

  • Endereços vs. Identidade: O software da PF não vê o nome “João da Silva”. Ele vê um endereço (ex: 1A1zP1eP5Q...).

  • Análise de Agrupamento (Clustering): Os softwares detectam se vários endereços pertencem à mesma carteira ou à mesma pessoa com base em como as transações são feitas.

  • O “Pulo do Gato” (Exchanges): O rastreamento torna-se identificável quando os criminosos tentam converter o Bitcoin em “dinheiro real” (Reais, Dólares). Para isso, eles costumam usar corretoras (Exchanges). Como estas empresas exigem documentos (KYC – Know Your Customer), a PF cruza os dados da transação na blockchain com os dados cadastrais da corretora.

2. Os limites da privacidade e as dificuldades da PF

Apesar das ferramentas avançadas, existem métodos que os criminosos usam para tentar “limpar” o rasto:

  • Mixers (Misturadores): São serviços que misturam as moedas de centenas de pessoas para dificultar o rastreamento da origem. Contudo, softwares modernos já conseguem usar algoritmos estatísticos para “desmisturar” parte dessas transações.

  • Privacy Coins (Moedas de Privacidade): Moedas como o Monero (XMR) são o maior desafio. Ao contrário do Bitcoin, elas escondem o remetente, o destinatário e o valor da transação a nível de protocolo. Nesses casos, o software da PF tem muito mais dificuldade (ou é impossível rastrear sem acesso direto ao dispositivo do suspeito).

  • Carteiras Frias (Cold Wallets): Se o criminoso mantiver os ativos num dispositivo offline (como uma Pen USB) e nunca os movimentar para uma corretora ou internet, a PF sabe que o dinheiro está lá, mas não consegue “confiscar” nem saber quem é o dono sem acesso físico ao dispositivo e à senha.

3. A questão legal: Privacidade vs. Investigação

O uso destas ferramentas levanta um debate ético:

  • Vigilância em Massa: Ativistas de privacidade temem que o governo passe a monitorizar cidadãos comuns que não cometeram crimes, apenas por quererem privacidade financeira.

  • Segurança Pública: A PF argumenta que, sem estas ferramentas, o crime organizado (tráfico de armas, drogas e lavagem de dinheiro) teria um “porto seguro” digital inalcançável.

O que mais lhe desperta curiosidade? Quer saber mais sobre como moedas como o Monero conseguem esconder os dados, ou como é que a polícia consegue “apreender” as criptomoedas na prática (tirar o acesso do criminoso)?

Leia mais: O que é o Monero e como a Polícia apreende as criptomoedas?

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