Este é um artigo que analisa as declarações de Luiz Philippe de Orléans e Bragança sob a ótica conservadora de Olavo de Carvalho e a lente econômica de Ludwig von Mises, traçando paralelos com regimes totalitários latinos.
O Abismo entre a Intenção e o Poder: O Que Falta para o Totalitarismo no Brasil?
As recentes declarações do deputado Luiz Philippe de Orléans e Bragança ecoam um sentimento latente em grande parte da direita brasileira: a percepção de que o país vive sob um “equilíbrio instável”. Segundo o parlamentar, o atual establishment flerta com as “piores figuras do mundo” e só não avançou para um controle absoluto por falta de meios específicos.
Mas que “meios” seriam esses? Para entender essa barreira, precisamos recorrer à filosofia de Olavo de Carvalho e à economia de Ludwig von Mises.
Veja o vídeo e as declarações de Luiz Philippe de Orléans e Bragança publicados em sua rede social:
1. A Barreira Cultural e a Ocupação de Espaços (Olavo de Carvalho)
Para Olavo de Carvalho, o poder político é apenas a “ponta do iceberg”. O verdadeiro domínio totalitário exige a Hegemonia Cultural (conceito de Gramsci, mas dissecado por Olavo como a principal arma da esquerda).
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O Meio não Conquistado: A ocupação total da consciência popular.
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A Análise: Olavo argumentava que a esquerda brasileira dominou as universidades e a mídia por décadas, mas falhou em converter o “sentimento moral” do povo comum.
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O papel do 25/01: Quando Luiz Philippe elogia movimentos populares apartidários, ele está apontando para a falha dessa hegemonia. O “povo pelo povo” representa uma unidade nacional que o establishment não consegue absorver nem rotular facilmente, impedindo a implementação de uma narrativa única, essencial para o totalitarismo.
2. A Metamorfose do Golpe: Da Revolução Armada à “Democracia Totalitária”
Olavo de Carvalho frequentemente alertava que o comunismo moderno não busca necessariamente uma revolução ruidosa como a de Cuba em 1959. Em vez disso, a estratégia atual foca na ocupação de espaços e na asfixia gradual das liberdades.
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Taxação Progressiva e Controle Econômico: Seguindo a lógica de Mises, o controle estatal não começa com a expropriação de todas as fábricas, mas com uma carga tributária tão pesada que torna a iniciativa privada dependente do Estado. É o que Olavo chamava de “socialismo por via fiscal”.
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O Poder Paralelo: Um ponto crucial na análise de Olavo é a existência de grupos civis armados e paramilitares. Estes grupos não agem como um exército formal, mas infiltram-se no tecido social, servindo como uma força de choque que dá sustentação ao regime “por fora” das leis, intimidando a oposição e garantindo o controle territorial onde o Estado finge não estar. No Brasil, essa dinâmica já é observada através de milícias ideológicas e movimentos de ocupação que operam como um poder paralelo.
3. O Estamento Burocrático: A Elite contra o Povo
Diferente da narrativa clássica de “luta de classes”, a análise conservadora identifica que o verdadeiro inimigo da liberdade é o Estamento Burocrático.
Este não é composto apenas por políticos, mas por uma tríade de sustentação:
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Elite Financeira: Grandes banqueiros e corporações que preferem o monopólio garantido pelo Estado à livre concorrência.
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Elite Cultural: Intelectuais, universidades e grandes veículos de mídia que fabricam o consenso necessário para as medidas autoritárias.
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Classe Política: Que opera a máquina pública para manter os privilégios dos dois primeiros grupos.
O resultado é uma “Democracia Totalitária”: mantém-se a aparência de ritos democráticos (eleições, parlamento), mas a vontade popular é sistematicamente anulada pelas decisões dessa elite técnica e burocrática.
4. O Controle Econômico e a Impossibilidade do Cálculo (Ludwig von Mises)
Se Olavo foca na mente, Mises foca no estômago e na propriedade. Em sua obra Socialismo, Mises demonstra que o totalitarismo pleno exige a abolição da propriedade privada e o controle estatal dos meios de produção.
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O Meio não Conquistado: A estatização completa da economia e o fim da autonomia financeira do indivíduo.
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A Análise: O Brasil possui uma economia mista e um setor produtivo (especialmente o agronegócio e o pequeno empreendedor) que ainda resiste ao dirigismo estatal. Sem o controle total dos preços e da produção, o Estado não consegue subjugar o cidadão pela fome ou pela dependência absoluta do contracheque governamental.
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A Resistência: A liberdade econômica, mesmo que mitigada, é o que impede a transformação do cidadão em súdito.
5. O Espelho da História: Cuba, Venezuela e o Caminho do Meio
A “maldade maior” mencionada por Luiz Philippe já foi concretizada em nossos vizinhos. A diferença reside justamente na conquista desses meios:
| Meio de Controle | Brasil Atual | Cuba / Venezuela |
| Forças Armadas | Institucionais, com tensões internas. | Convertidas em braço armado do partido/regime. |
| Poder Paralelo | Milícias e grupos ideológicos em expansão. | “Colectivos” venezuelanos que reprimem o povo. |
| Economia | Mercado resistente e agro pujante. | Destruição da iniciativa privada e dependência de cartões de racionamento. |
| Informação | Internet e redes sociais descentralizadas. | Censura estatal direta e controle dos provedores. |
| Unidade Popular | Movimentos como o de 25/01 demonstram dissidência. | Desarticulação total da oposição via exílio ou prisão. |
Em Cuba, a conquista foi militar e rápida. Na Venezuela, foi um processo de “erosão democrática” onde, passo a passo, os meios de Mises (controle cambial) e de Olavo (milícias culturais/educacionais) foram capturados.
Conclusão: A Unidade como Antídoto
A análise de Luiz Philippe de Orléans e Bragança sugere que o Brasil vive um momento de “respiro” democrático garantido não pela vontade dos governantes, mas pela incapacidade técnica destes em dobrar a vontade popular e a estrutura econômica.
A consciência nacional e a unidade manifestada em movimentos de rua são, portanto, o que Mises chamaria de “defesa da civilização” e o que Olavo definiria como a retomada do “sentido da realidade” contra a ideologia.

