Paraguai aplica nova redução no preço da gasolina e soma 12 quedas consecutivas desde 2023.
Este artigo analisa a dinâmica do mercado de combustíveis entre Brasil e Paraguai em 2026, focando no fenômeno das quedas sucessivas de preços no país vizinho e nas diferenças estruturais que permitem que um importador venda mais barato que um grande produtor.
Petropar reduz preços em 2026
Assista ao vídeo de 2021, produzido pela equipe de Jornalismo da Band, sobre o preço da gasolina no Brasil e Paraguai:
Vídeo. Disponível em https://youtu.be/uh01FVsdAVE?si=ffhAmaeu9rxnjACa
Este vídeo de 2021 ilustra a realidade prática de motoristas brasileiros cruzando a fronteira para aproveitar os preços reduzidos no Paraguai, reforçando o impacto econômico direto dessas políticas mencionadas no texto.
O Fenômeno Petropar: 12 Reduções e a Estratégia Paraguaia
Desde o início da gestão de Santiago Peña em 2023, o Paraguai adotou uma política de preços agressiva através de sua estatal, a Petropar. Em janeiro de 2026, o país registrou sua 12ª redução consecutiva (considerando ajustes acumulados e microajustes por tipo de combustível), consolidando uma tendência de alívio ao consumidor.
O movimento mais recente, ocorrido em janeiro de 2026, reduziu em cerca de G$ 250 (R$ 0,20) o litro da gasolina e do diesel. Essa política não é apenas populista, mas baseada em três pilares técnicos:
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Gestão de Estoques Spot: Diferente do Brasil, que possui contratos de longo prazo e produção interna complexa, o Paraguai atua fortemente no mercado spot (à vista), comprando lotes quando o barril de petróleo cai internacionalmente.
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Superavit Operacional: A Petropar reportou uma gestão de custos mais rígida, permitindo repassar margens de lucro menores para o consumidor final em troca de volume de venda.
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Efeito Dominó: A Petropar detém cerca de 15% a 20% do mercado, mas seu preço serve de teto. Quando ela baixa, as redes privadas (Puma, Shell, Exxon) são obrigadas a reduzir para manter a competitividade.
Estudo Comparado: Brasil vs. Paraguai (2026)
Para entender por que a gasolina brasileira é mais cara mesmo com o Brasil produzindo milhões de barris por dia no Pré-Sal, precisamos olhar para a “anatomia do preço”.
1. Carga Tributária: O Peso do Estado
O diferencial mais gritante reside nos tributos. Enquanto o Brasil discute reformas para simplificar o sistema, o Paraguai já opera no modelo “10-10-10” (10% de IVA, 10% de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e 10% de Pessoa Física).
| Componente | Brasil (Estimativa 2026) | Paraguai (Estimativa 2026) |
| Impostos | ICMS (Fixo/L), PIS/COFINS, CIDE | ISC (Imposto Seletivo de Consumo) |
| Peso Total no Preço | ~35% a 45% | ~15% a 20% |
| Composição | Mistura de 30% de Etanol Anidro | Mistura variável (menor dependência de etanol) |
2. Infraestrutura e Cadeia de Suprimentos
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Brasil (O Gigante Integrado): Possui 19 refinarias principais. A logística é majoritariamente rodoviária (cara e dependente de fretes e combustíveis), o que adiciona custos significativos em um país de dimensões continentais. O Brasil é autossuficiente em óleo bruto, mas ainda importa gasolina e diesel para fechar a conta do consumo interno devido à capacidade de refino limitada.
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Paraguai (O Importador Eficiente): Não possui exploração ativa de petróleo. Importa 100% do que consome. A vantagem está na Logística Fluvial. Grande parte do combustível chega por barcaças via Hidrovia Paraguai-Paraná, um modal de transporte muito mais barato por tonelada/km do que o caminhão brasileiro.
3. Grau de Dependência e Refino
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Brasil: Depende de cerca de 15% a 20% de importação de derivados (gasolina/diesel) para atender à demanda. A Petrobras segue uma estratégia de preços que equilibra o mercado internacional com custos de oportunidade, visando rentabilidade para acionistas e investimentos em refino (que em 2026 ainda enfrentam gargalos de expansão).
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Paraguai: Dependência de 100%. Contudo, essa dependência “liberta” o país de sustentar uma infraestrutura de refino bilionária e ineficiente. Eles compram o produto já refinado de diversos fornecedores (Brasil, Argentina, EUA, etc.), aproveitando janelas de oportunidade de preços baixos no mercado global.
Conclusão: Por que o Brasil não consegue igualar?
A resposta técnica é que o preço brasileiro não é apenas o custo do petróleo, mas o custo de sustentar uma estrutura estatal complexa, uma logística rodoviária cara e, principalmente, uma carga tributária usada para financiar seguridade social e estados. O Paraguai, com um Estado “leve” e logística fluvial, consegue converter a queda do Brent em queda na bomba de forma muito mais direta.

