Para um lojista que deseja importar produtos para revenda, existem basicamente três caminhos principais. No Siscomex, ele será identificado genericamente como Importador, mas a sua “subclassificação” e responsabilidades mudam conforme a modalidade escolhida.
1. Importação Direta (Própria)
Neste modelo, o lojista faz tudo: negocia com o fornecedor, fecha o câmbio e cuida do despacho aduaneiro.
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Como é chamado no Siscomex: Importador Adquirente.
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Perfil: Ideal para quem já tem volume e quer margens de lucro maiores, eliminando intermediários.
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Exigência: Precisa ter habilitação no Radar/Siscomex (geralmente na modalidade Limitada ou Ilimitada).
2. Importação por Conta e Ordem de Terceiro
O lojista contrata uma Trading Company (uma empresa especializada em comércio exterior) para prestar o serviço de importação. A Trading é apenas uma prestadora de serviço; o dinheiro para a compra sai do lojista.
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Como é chamado no Siscomex: Adquirente de Mercadoria (o lojista) e Importador (a Trading).
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Perfil: Para quem quer terceirizar a burocracia e a logística, mas possui o capital para a operação.
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Vantagem: A Trading já possui expertise e, muitas vezes, benefícios fiscais em certos estados.
3. Importação por Encomenda
A Trading Company compra a mercadoria no exterior com recursos próprios e, após o desembaraço, revende para o lojista (que se comprometeu a comprar previamente).
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Como é chamado no Siscomex: Encomendante Predeterminado.
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Perfil: Útil para lojistas que não querem (ou não podem) imobilizar capital antes da mercadoria chegar ou que preferem que o risco financeiro da importação fique com a Trading até a entrega.
Comparativo de Modalidades
| Modalidade | Quem paga o fornecedor? | Quem faz o despacho? | Registro no Siscomex |
| Direta | O Lojista | O Lojista (ou seu despachante) | Lojista |
| Conta e Ordem | O Lojista | A Trading | Trading (p/ conta do Lojista) |
| Encomenda | A Trading | A Trading | Trading (p/ encomenda do Lojista) |
O Fluxo de Habilitação
Independentemente da escolha, o lojista precisa estar no Radar. O fluxo básico para começar é este:
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CNPJ Ativo: A empresa deve estar regularizada.
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Habilitação Radar: Realizada via Portal Único Siscomex.
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Vínculo com Despachante: Mesmo contratando uma Trading, o lojista (como Adquirente ou Encomendante) precisa estar vinculado no sistema.
Dica de Ouro: Se o seu cliente está começando agora e o volume é pequeno (até US$ 3.000 por operação), ele pode usar o Importa Fácil dos Correios, onde ele é o importador, mas o processo é simplificado e dispensa o Radar.
Como funciona na prática com exemplos?
Para tirar a teoria do papel, vamos imaginar o cenário de uma Lojista de Artigos Esportivos (chamaremos de “Loja do Pedro”) que deseja trazer 500 unidades de uma raquete de padel de um fornecedor na China.
Aqui estão os três caminhos práticos que o Pedro pode seguir:
1. Exemplo de Importação Direta
Cenário: O Pedro já tem o Radar ativo, possui capital em caixa e quer o menor custo possível, sem pagar comissões para intermediários.
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A Ação: O Pedro entra em contato direto com a fábrica na China, fecha o pedido e envia o dinheiro via fechamento de câmbio no banco dele. Ele contrata um frete internacional e um despachante aduaneiro.
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No Siscomex: Ele aparece como o Importador. A Declaração de Importação (DI) sai no nome da “Loja do Pedro”.
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Resultado Real: Quando a carga chega no porto, o Pedro paga os impostos (II, IPI, ICMS, etc.) diretamente. A raquete entra no estoque dele com o custo “limpo” da operação.
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Risco: Se houver erro na classificação fiscal (NCM), a multa é inteiramente do Pedro.
2. Exemplo de Importação por Conta e Ordem
Cenário: O Pedro não entende nada de logística internacional e prefere focar nas vendas. Ele contrata uma Trading Company (ex: “Expert Trade”) para cuidar de tudo.
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A Ação: O Pedro assina um contrato com a “Expert Trade” e registra esse vínculo no Siscomex. O Pedro transfere o dinheiro para a Trading, que por sua vez paga o chinês.
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No Siscomex: A Trading registra a Declaração de Importação como Importadora, mas indica no campo específico que a operação é “Por Conta e Ordem” da Loja do Pedro.
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Resultado Real: A mercadoria sai da alfândega e vai direto para a Loja do Pedro acompanhada de uma Nota Fiscal de “Saída de Mercadoria por Conta e Ordem”. O Pedro paga uma taxa de serviço (comissão) para a Trading.
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Vantagem: O Pedro usa o “braço logístico” da Trading, mas a mercadoria legalmente sempre foi dele.
3. Exemplo de Importação por Encomenda
Cenário: O Pedro quer as raquetes, mas não quer gastar seu capital de giro agora. Ele encontra uma Trading que aceita comprar o produto com o dinheiro dela e revender para ele depois que chegar no Brasil.
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A Ação: A Trading compra as raquetes na China com recursos próprios. O Pedro assina um compromisso de compra.
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No Siscomex: A Trading é a Importadora, mas declara no sistema que o Pedro é o Encomendante Predeterminado.
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Resultado Real: Após o produto chegar e ser liberado, a Trading emite uma Nota Fiscal de Venda para o Pedro. O Pedro paga a Trading (com uma margem de lucro embutida pela “ajuda financeira”).
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Diferença Chave: No papel, a Trading “comprou para revender” ao Pedro. É uma excelente opção para quem precisa de crédito ou quer simplificar ao máximo o balanço financeiro.
Resumo Comparativo Rápido
| Exemplo | Quem é o “Dono” do Dinheiro? | Nome no Siscomex | Vantagem Prática |
| Direta | Lojista | Importador | Maior lucro (menor custo) |
| Conta e Ordem | Lojista | Importador (Trading) / Adquirente (Lojista) | Segurança operacional e burocrática |
| Encomenda | Trading | Importador (Trading) / Encomendante (Lojista) | Alívio no fluxo de caixa do lojista |
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