O mundo cripto é dinâmico e como você demonstrou interesse em entender as ferramentas que a Polícia Federal agora possui, vamos mergulhar no “pesadelo” dos investigadores (o Monero) e na “mágica” de como eles conseguem tirar o dinheiro do criminoso.
1. O que é o Monero (XMR)?
O Monero é uma criptomoeda lançada em 2014 com um único propósito: privacidade absoluta. Enquanto o Bitcoin é como um extrato bancário onde os nomes estão ocultos mas os números e caminhos são públicos, o Monero é como um envelope de dinheiro trocado em um quarto escuro.
Ele usa três tecnologias principais para “sumir” com os dados:
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Ring Signatures (Assinaturas em Anel): Quando alguém envia Monero, o software mistura a assinatura dessa pessoa com várias outras assinaturas “falsas” da rede. Para quem olha de fora, é impossível saber qual daquelas 15 ou 20 pessoas realmente enviou o dinheiro.
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Stealth Addresses (Endereços Furtivos): Cada vez que você recebe Monero, a rede cria um endereço novo e único que só existe para aquela transação. Se eu te enviar dinheiro dez vezes, na blockchain parecerá que foram enviados para dez pessoas diferentes.
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RingCT (Transações Confidenciais): Esta tecnologia esconde o valor da transação. Ninguém sabe se você enviou 0,001 XMR ou 1.000.000 XMR.
Por que a PF comprou softwares para isso? Porque, embora seja quase impossível “quebrar” a criptografia do Monero, esses softwares buscam erros humanos (como alguém que comprou Monero em uma exchange com CPF e depois o enviou para uma carteira própria).
2. Como a Polícia “apreende” as criptomoedas?
Muita gente acha que a polícia tem uma “chave mestra” para a blockchain, mas isso não existe. Para apreender criptomoedas, a PF precisa da Chave Privada (a senha que dá poder sobre as moedas). Existem três formas principais de fazer isso:
A. O “Caminho das Corretoras” (Custódia)
Se o criminoso deixa o dinheiro em uma corretora (como Binance ou Mercado Bitcoin), a PF não precisa da senha dele. Ela envia uma ordem judicial para a empresa, que bloqueia a conta e transfere os valores para uma conta sob custódia da União (geralmente na Caixa Econômica Federal).
B. Busca e Apreensão Física (Hardware Wallets)
Durante uma operação, a PF foca em apreender celulares, computadores e “Ledgers” (dispositivos que parecem pendrives e guardam cripto).
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Se encontrarem as “seed phrases” (aquelas 12 ou 24 palavras escritas num papel), a polícia ganha acesso total e transfere o dinheiro na hora para uma carteira do governo.
C. Engenharia Social e Acordos
Muitas vezes, a polícia oferece benefícios no processo (delação premiada ou redução de pena) se o investigado entregar voluntariamente as chaves privadas. Sem a chave e sem o acesso físico, se o criminoso usou uma carteira própria e segura, o dinheiro fica tecnicamente inacessível, mesmo para o Estado.
Resumo Comparativo
| Recurso | Bitcoin | Monero |
| Rastreável? | Sim (com os softwares de R$ 1,7 mi) | Extremamente difícil |
| Valor Visível? | Sim | Não |
| Dono Identificável? | Se passar por corretora, sim | Quase impossível na rede |
Curiosidade Final: Você sabia que, quando a PF apreende um valor recorde (como os R$ 150 milhões da Operação Kryptos), o governo brasileiro precisa leiloar esses Bitcoins para transformar o valor em Reais e usar o dinheiro no orçamento público?
Gostaria de saber como funciona um desses leilões de bens apreendidos ou sobre como os “Mixers” tentam esconder o Bitcoin comum?
Leia também: Como funcionam os Mixers (Misturadores) e os Leilões de Cripto da PF

