Mediunidade com Jesus. Estudo do Livro Curso de Educação Medúnica – 1º Ano, Edições FEESP (Federação Espírita do Estado de São Paulo)
Estudo do Livro Curso de Educação Mediúnica – 1º Ano (FEESP)
Estudo do trecho de texto a seguir, extraído do Livro Curso de Educação Mediúnica da Federação Espírita do Estado de São Paulo.
Também André Luiz ressalta as relações entre a moral e a mediunidade: “Forçoso reconhecer, todavia, que a mediunidade, na essência, quanto à energia elétrica em si mesma, nada tem que ver com os princípios morais que regem os problemas do destino e do ser. Dela podem dispor, pela espontaneidade com que se evidencia, sábios e ignorantes, justos e injustos, expressando-lhe, desse modo, a necessidade da condição reta, quanto a força elétrica exige disciplina a fim de auxiliar.
Analisaremos esse trecho luminoso da Federação Espírita do Estado de São Paulo (FEESP), que cita a obra de André Luiz (psicografia de Francisco Cândido Xavier).
Esta passagem é fundamental para desmistificar a mediunidade, retirando-lhe qualquer caráter de “santidade nata” ou “privilégio divino”, e colocando-a no campo das faculdades naturais do ser humano.
Abaixo, dividimos a explicação em detalhes, analisando os pontos-chave da analogia utilizada por André Luiz.
1. A Mediunidade como Força Neutra (“Energia Elétrica”)
O ponto central do texto é a analogia entre a mediunidade e a energia elétrica.
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A eletricidade em si é neutra: Ela não possui moral, não é “boa” nem “má”. A mesma corrente elétrica que ilumina um hospital de caridade e alimenta uma incubadora pode, se mal utilizada ou direcionada para o mal, causar um acidente grave ou alimentar um engenho destrutivo.
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A mediunidade na essência: André Luiz afirma que, organicamente e energeticamente falando, a mediunidade é apenas uma capacidade de percepção e transmissão vibratória. Ela é uma ferramenta do organismo perispirítico e físico. Portanto, o fato de alguém ser um médium ostensivo não significa, automaticamente, que essa pessoa seja um espírito evoluído ou moralmente superior.
2. A Universalidade da Faculdade (“Sábios e ignorantes, justos e injustos”)
O texto reforça o caráter universal e espontâneo da mediunidade:
“Dela podem dispor, pela espontaneidade com que se evidencia, sábios e ignorantes, justos e injustos…”
Isso explica por que encontramos médiuns com grande capacidade psicofônica ou de efeitos físicos que, no entanto, possuem um caráter moral duvidoso, ou que utilizam a faculdade para o comércio (o que a Doutrina condena) ou para o egoísmo. Da mesma forma, pessoas simples e sem instrução intelectual podem ser canais de extrema pureza espiritual. A mediunidade é um talento concedido para o trabalho de evolução, mas o uso desse talento depende exclusivamente do livre-arbítrio de quem o detém.
3. As Relações entre a Moral e a Mediunidade (“A necessidade da condição reta”)
Se a mediunidade não tem a ver com a moral em sua origem mecânica, ela tem tudo a ver com a moral em seus resultados e sintonias. É aqui que entra a frase: “expressando-lhe, desse modo, a necessidade da condição reta, quanto a força elétrica exige disciplina a fim de auxiliar.”
Para que a energia elétrica seja útil, ela precisa de:
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Fiação adequada (condutores limpos).
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Isolamento (proteção contra curtos-circuitos).
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Transformadores (disciplina de voltagem).
No campo mediúnico, essa “disciplina” e “condição reta” referem-se à moral evangélica.
O Mecanismo da Sintonia
De acordo com as leis da Sintonia e Afinidade Vibratória (amplamente estudadas na codificação de Allan Kardec e nas obras do próprio André Luiz):
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Médiuns focados no bem, no estudo e na reforma íntima, atraem Espíritos Protetores, Nobres e Esclarecidos.
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Médiuns moralmente descuidados (presos ao orgulho, vaidade, melindre, ganância ou vícios), embora continuem tendo a “energia elétrica” da mediunidade, entram na faixa vibratória de Espíritos Obsessores, Zombeteiros ou Sofredores, tornando-se canais de perturbação e mistificação.
Síntese Doutrinária
Em termos práticos para o estudante do Curso de Educação Mediúnica, este trecho resume o seguinte axioma espírita: A mediunidade é um potencial de serviço; a moral é o direcionamento desse serviço.
Portanto, o desenvolvimento mediúnico não deve ser apenas um treino técnico de transe ou percepção fluídica, mas, acima de tudo, um processo profundo de autoeducação, estudo e renovação moral. Como bem sintetizou Emmanuel em outra obra: “Mediunidade sem Jesus é força cega que se perde no labirinto das paixões humanas.”
O que é a Mediunidade com Jesus?
A frase de Emmanuel “Mediunidade sem Jesus é força cega que se perde no labirinto das paixões humanas” sintetiza com precisão cirúrgica a responsabilidade que acompanha a faculdade mediúnica. Tomando como base a Codificação Kardequiana e as obras subsidiárias (como as de André Luiz e do próprio Emmanuel), podemos dividir a prática mediúnica em dois caminhos distintos, determinados exclusivamente pela postura moral e pelo direcionamento que o médium dá ao seu potencial.
Mediunidade sem Jesus: A Força Cega
A “Mediunidade sem Jesus” não significa necessariamente que o médium seja uma pessoa má, mas sim que a sua faculdade está desprovida de direcionamento moral evangélico, de autoeducação e de compromisso com o bem altruísta. É a força psíquica entregue ao sabor das correntes comuns do mundo.
Características Principais:
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Falta de Sintonia com o Alto: Sem o padrão vibratório do amor, do perdão e da humildade, o médium não consegue sintonizar com os Espíritos Superiores. Ele atrai, por afinidade, espíritos na mesma faixa de evolução: obsessores, zombeteiros, interesseiros ou profundamente sofredores.
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O Labirinto das Paixões Humanas: A faculdade passa a ser usada para alimentar o ego. Isso se manifesta através do orgulho (achar-se um “eleito” ou mais especial que os outros), da vaidade (buscar aplausos e reconhecimento pelas mensagens), do melindre (ficar magoado ao ser corrigido ou ao ver outro médium em destaque) e da cupidez (comercializar o dom divino, cobrando por consultas ou trabalhos).
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Fenômeno pelo Fenômeno: O foco está na curiosidade, no espanto ou na adivinhação do futuro e de interesses materiais (negócios, relacionamentos, intrigas). Não há transformação interior.
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Consequências: O médium torna-se presa fácil da fascinação (uma modalidade de obsessão em que o espírito engana o médium, fazendo-o acreditar que é soberano e infalível) e do esgotamento nervoso, gerando desequilíbrios psíquicos e o fracasso da tarefa reencarnatória.
Mediunidade com Jesus: O Caminho do Amor e do Dever
A “Mediunidade com Jesus” é a faculdade consagrada ao serviço do próximo, ao estudo constante e à edificação moral do próprio médium. O nome “Jesus” aqui representa o modelo de amor manifesto, o Evangelho vivido na prática, independentemente de rótulos religiosos.
Características Principais:
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O Trabalho Silencioso e Humilde: O médium compreende que é apenas um “telefone”, um intermediário. Ele não busca o palco, o aplauso ou o ganho material. Cumpre o preceito evangélico: “Dai de graça o que de graça recebestes” (Mateus, 10:8).
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A Disciplina do Estudo e da Prece: O médium “com Jesus” sabe que a boa vontade não basta; é preciso conhecimento. Ele estuda as obras básicas, compreende os mecanismos do invisível e utiliza a prece como ferramenta de higiene mental e elevação vibratória diária.
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A Reforma Íntima como Escudo: O médium combate ativamente as próprias imperfeições. Ele sabe que a melhor forma de se proteger de espíritos inferiores não são rituais externos, mas sim a transformação do seu mundo interno. O esforço para ser alguém melhor atrai a tutela de mentores espirituais elevados.
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O Foco no Consolo e no Esclarecimento: A mediunidade é usada para enxugar lágrimas, trazer esperança, consolar corações aflitos e educar as almas (encarnadas e desencarnadas). As reuniões mediúnicas tornam-se verdadeiros hospitais espirituais, onde o médium oferece seus fluidos para o alívio dos que sofrem.
Tabela Comparativa: As Duas Posturas Mediúnicas
| Aspecto | Mediunidade SEM Jesus | Mediunidade COM Jesus |
| Objetivo Principal | Atender a interesses pessoais, ego e curiosidade. | Consolar, esclarecer e servir ao próximo. |
| Padrão de Sintonia | Espíritos pseudo-sábios, zombeteiros ou obsessores. | Benfeitores, mentores e espíritos socorristas. |
| Postura do Médium | Orgulho, vaidade, melindre e comercialização. | Humildade, discrição, gratuidade e estudo. |
| Ambiente Psíquico | Perturbação, dúvida, fascinação e mistificação. | Paz, segurança fluídica, harmonia e caridade. |
| Resultado Espiritual | Estagnação ou débito cármico por desvio de tarefa. | Progresso espiritual, resgate de débitos e libertação. |
Nota de Reflexão: Allan Kardec, em O Livro dos Médiuns (Cap. XX, item 227), reforça exatamente esse pensamento de Emmanuel ao dizer que “os bons espíritos só vão onde sabem que serão ouvidos com proveito; onde encontram simpatia e o desejo sério de se instruir”. Portanto, colocar “Jesus” na mediunidade é sintonizar a mente com a frequência do amor universal, transformando a força bruta da percepção em luz para o caminho humano.
Mediunidade com Jesus no cotidiano
Trazer esses conceitos teóricos para o cotidiano do médium (ou de qualquer pessoa que deseja desenvolver sua sensibilidade de forma saudável) exige transformar a teoria em hábitos diários. A mediunidade “com Jesus” não se vive apenas nas duas horas de reunião no Centro Espírita, mas sim nas outras 166 horas da semana.
No cotidiano, a mediunidade prática e equilibrada se traduz nas seguintes ações concretas:
1. Na Vida Mental e Emocional (Higiene Psíquica)
O médium é como um rádio sintonizado; as ações práticas começam no que ele escolhe pensar e sentir.
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O Culto do Evangelho no Lar: Realizar uma vez por semana uma leitura reflexiva do Evangelho Segundo o Espiritismo em família (ou sozinho). Isso limpa a atmosfera fluídica da casa e sintoniza o ambiente com os benfeitores espirituais.
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Vigilância das Conversas e Leituras: Evitar alimentar debates baseados em fofocas, intrigas, julgamentos severos ou conteúdos violentos e puramente sensacionalistas na internet e na TV. A ação prática aqui é mudar de assunto ou silenciar quando a energia da conversa começar a baixar.
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Pausas para Oração Silenciosa: Diante de uma notícia ruim, de um trânsito caótico ou de uma discussão no trabalho, a ação prática é respirar fundo e fazer uma prece rápida mentalmente (por si e pelo outro), em vez de reagir com raiva.
2. No Ambiente de Trabalho e Negócios
A mediunidade sem Jesus se perde nas paixões; com Jesus, ela se ancora na ética irrepreensível.
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Honestidade e Transparência: Cumprir prazos, não inflar relatórios, ser justo nos preços e transparente com clientes e parceiros. O médium entende que a energia do ganho desonesto ou da malícia atrai espíritos que operam na mesma vibração de trapaça.
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Acolhimento ao Colega “Difícil”: Em vez de isolar ou criticar aquele colega de trabalho irritadiço ou pessimista, a ação prática é tratá-lo com paciência e educação. Muitas vezes, esse colega está sob forte influência espiritual e, ao manter a calma, você atua como um para-raios de paz no ambiente.
3. Na Relação com o Próximo (Caridade Dinâmica)
A caridade é o motor que qualifica os fluidos do médium.
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Escuta Ativa e Empática: Às vezes, a ação mais mediúnica do dia é dar atenção total a alguém que precisa desabafar (um familiar, um amigo ou um desconhecido), sem olhar para o celular e sem julgar. Ouvir com amor é uma doação fluídica de efeito terapêutico.
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Trabalho Voluntário: Engajar-se em ações assistenciais práticas (seja na entrega de sopa, na organização de doações, no amparo a idosos ou crianças). O esforço físico voltado para o bem gera uma renovação drástica no perispírito do médium, limpando “toxinas” fluídicas acumuladas.
4. Diante dos Fenômenos Mediúnicos do Dia a Dia
Médiuns ostensivos frequentemente percebem o mundo invisível fora do centro espírita. Ação prática aqui significa disciplina.
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Não dar “Consultas” Informais: Se você tem uma intuição, uma vidência ou percepção sobre alguém no meio da rua, em uma festa ou no trabalho, a ação prática é calar-se e orar pela pessoa, em vez de inflar o ego dizendo: “Estou vendo um espírito do seu lado”. A mediunidade fora do ambiente adequado e sem pedido de socorro gera curiosidade e perturbação.
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Autocontrole Fluídico: Ao entrar em um lugar pesado (como um hospital, delegacia ou ambiente carregado de brigas) e sentir um mal-estar físico (dor de cabeça, aperto no peito), a ação prática não é reclamar ou fugir assustado, mas sim mentalizar os mentores, emitir pensamentos de paz para aquele local e seguir sua rotina com firmeza.
Resumo das Ações no Cotidiano
[Pensamento] --------> Oração espontânea e vigilância contra o julgamento.
[Palavra] --------> Estímulo ao otimismo, silêncio diante da fofoca.
[Atitude] --------> Trabalho honesto, cumprimento do dever e caridade anônima.
No fundo, a ação prática mais profunda da mediunidade com Jesus foi resumida por Kardec em uma única frase: “Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que faz para domar suas más inclinações.” Cada pequena escolha diária por frear o próprio orgulho ou egoísmo é, na verdade, o maior exercício mediúnico que se pode realizar.

