Entenda o significado de “Os Escolhidos” no Espiritismo. Descubra como o livre-arbítrio e o esforço individual definem essa escolha, longe de qualquer predestinação.
No Espiritismo, a frase “Muitos são os chamados, poucos os escolhidos” (que dá título ao Capítulo XVIII de O Evangelho Segundo o Espiritismo) não possui um sentido de exclusividade divina ou predestinação, mas sim um significado relacionado ao livre-arbítrio e ao esforço individual.
1. O “Chamado” é Universal
O chamado representa a oportunidade de evolução, renovação moral e conhecimento das leis divinas oferecida a todas as criaturas em todas as épocas. Deus não exclui ninguém; o convite para a iluminação, o aprendizado da caridade e a prática do bem é feito constantemente a todos os espíritos, através da consciência e das experiências sucessivas (reencarnações).
2. A “Escolha” é uma Conquista Individual
Ser um “escolhido” não é ser escolhido por Deus por um critério de preferência, mas sim tornar-se escolhido por meio das próprias ações. A escolha depende inteiramente do indivíduo:
-
Esforço pessoal: A pessoa precisa “escolher” aceitar o chamado, renunciando às más inclinações e ao egoísmo.
-
Transformação moral: É o resultado do trabalho de reforma íntima. O “escolhido” é aquele que, de livre e espontânea vontade, coloca em prática os ensinamentos cristãos e as leis universais em sua rotina.
-
Responsabilidade: À medida que o espírito desperta para essas verdades, ele assume a responsabilidade pelo seu próprio progresso, deixando de ser apenas alguém que “ouviu” o convite para ser alguém que “vive” conforme o convite.
3. A Porta Estreita
O Espiritismo associa esse conceito à ideia da “porta estreita”. A dificuldade mencionada por Jesus não existe porque o caminho é proibido, mas porque exige o sacrifício das paixões inferiores e dos hábitos materialistas.
Muitos são chamados (todos recebem a oportunidade), mas poucos “escolhem” pagar o preço do autoconhecimento e da disciplina moral necessários para a evolução.
4. O Significado Prático
No cotidiano, ser um “escolhido” significa, para o espírita:
-
Deixar de ser um observador passivo da vida para ser um trabalhador ativo na sementeira do bem.
-
Compreender que o progresso espiritual é uma conquista contínua.
-
Agir com coerência: reconhecer a doutrina ou os ensinos de Jesus, mas, acima de tudo, aplicá-los através da caridade e da reforma das próprias imperfeições.
Em resumo, o chamado é a dádiva de Deus; a escolha é o mérito do homem. Todos têm a mesma capacidade e o mesmo potencial de destino, mas o tempo que cada um levará para atingir essa maturidade espiritual depende exclusivamente das escolhas que faz durante sua jornada.